Produção de soja sem pressionar o Cerrado

17 Setembro 2020

Solidaridad Brasil articula ação regional no Matopiba para que a produção conviva em harmonia com as áreas de vegetação nativa

Foram 37 milhões de hectares de soja colhidos entre 2019 e 2020, resultando na maior safra da história brasileira, segundo relatório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Os dados também mostram que a produção de soja deve crescer e ocupar mais 7,3 milhões de hectares no país até 2029 — o que representa um aumento de 24% da área ocupada hoje. Esse crescimento deve acontecer principalmente na região conhecida como Matopiba, que compreende uma área entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, no bioma Cerrado. A expansão do cultivo da leguminosa deve acontecer em terras que ainda estão disponíveis, áreas de pasto ou onde há outras culturas.

Em estudo recente sobre a produção sustentável da soja no Cerrado, a The Nature Conservancy (TNC) revela que o bioma abriga 18,5 milhões de pastagens com aptidão agrícola subutilizadas. E afirma que elas podem acomodar a demanda pelo aumento da produção de soja e por uma pecuária mais eficiente, evitando a abertura de novas áreas. Além disso, utilizar de maneira eficiente as áreas de pastagem degradada é uma oportunidade para sequestrar carbono em áreas que hoje são grandes emissoras. Uma das técnicas reconhecidas como boas práticas agrícolas na produção de soja é o Sistema de Plantio Direto (SDP).

A partir de sua experiência na cadeia produtiva da soja, a Solidaridad Brasil começa a estruturar uma ação regional no Matopiba. A organização entende que, para dar escala a técnicas modernas que reduzem a emissão de carbono na atmosfera e dão eficiência ao uso do solo, é importante a participação dos atores locais. Além disso, com 73 milhões de hectares e 337 municípios, o Matopiba compreende diversos contextos, sendo necessária a compreensão das especificidades de cada território.


A redução dos impactos das mudanças climáticas passa pelo convívio harmônico entre o Cerrado e a produção de soja no Matopiba. Foto: Divulgação/SCF

Para isso, foi produzido em 2019 um mapeamento qualitativo no pólo regional de cada um dos quatro estados. A proposta foi conhecer as realidades locais e retratar as capacidades para o uso do solo mais eficiente, o que permitiu dar o primeiro passo na busca por parcerias sólidas que possam tornar acessível a agricultura de baixo carbono nas região.

Nesse sentido, a Solidaridad Brasil estabeleceu uma parceria com o setor privado, por meio do Soft Commodities Forum (SCF). Juntamente com o SCF, está sendo conduzida uma pesquisa com produtoras e produtores sobre os sistemas de produção locais, a fim de traçar um perfil das necessidades em relação às práticas de cultivo da soja e de uso do solo. O estudo tem o objetivo de dar voz aos agricultores, para que as estratégias sejam desenvolvidas em conjunto com eles. O SFC é uma plataforma global composta por grandes empresas de commodities, cujo objetivo é promover ações coletivas em torno de desafios comuns de sustentabilidade. Entre os membros, estão a ADM, Bunge, Cargill, COFCO International, Glencore Agriculture e Louis Dreyfus Company.

“O engajamento dos produtores é um elemento-chave para o sucesso da nossa atuação na região. E, a partir da identificação e do entendimento dos desafios enfrentados por eles, será possível desenhar uma atuação estratégica”, comenta a Gerente de Agricultura e Conservação da Solidaridad Brasil, Joyce Brandão.


Reconhecido como boa prática agrícola, o Sistema de Plantio Direto (SDP) é uma das apostas para a produção sustentável de soja no Matopiba. Foto: Solidaridad Brasil

TÉCNICAS APRIMORADAS

Ainda em 2020, uma das metas é a construção de parcerias de longo prazo, locais e globais, que possibilitem ampliar e melhorar técnicas de agricultura de baixo carbono, como o sistema de plantio direto e a conservação do solo. O aperfeiçoamento dessas metodologias gera alternativas de melhoria do uso do solo, refletindo diretamente na redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

A Coordenadora de Soja da Solidaridad Brasil, Juliana Monti, ressalta que a atual safra de grãos bateu recorde de produção, com cerca de 250 milhões de toneladas. Para ela, o acréscimo da participação do setor no PIB brasileiro aumenta a pressão sobre o Cerrado. “Por isso é importante seguirmos junto aos produtores, colaborando para que a inevitável expansão da produção de grãos como a soja seja responsável e pautada em planejamento territorial, priorizando o aproveitamento de áreas já abertas e subutilizadas para atividades agropecuárias”, observa.


A estratégia Conexão Brasil-China-EUA: mobilizando mercado e investidores e alavancando a produção de baixo carbono é financiada pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad), por meio da Iniciativa Internacional Norueguesa de Clima e Florestas (NICFI).

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SOYBEAN PRODUCTION WITHOUT PUTTING PRESSURE ON THE CERRADO

Solidaridad Brasil coordinates regional action in Matopiba so that production coexists in harmony with areas of native vegetation

Thirty-seven million hectares of soy were harvested between 2019 and 2020, resulting in the largest harvest in Brazilian history, according to a report by the São Paulo Federation of Industries (FIESP). The data also shows that soy production is expected to grow and occupy an additional 7.3 million hectares in the country by 2029, representing an increase of 24% in the area occupied today. This growth should happen mainly in the region known as Matopiba, which comprises an area between the states of Maranhão, Tocantins, Piauí, and Bahia, in the Cerrado. The expansion of legume cultivation should take place on land that is still available, pasture areas, or where there are other crops.

In a recent study on the sustainable production of soy in the Cerrado, The Nature Conservancy (TNC) reveals that the biome is home to 18.5 million underused agricultural pastures. And they say that they can accommodate the demand for increased soy production and more efficient cattle ranching, avoiding the clearing of new areas. Using degraded pasture areas efficiently is also an opportunity to sequester carbon in areas that today are significant emitters. One of the techniques recognized as a good agricultural practice in soy production is the No-Tillage System (NTS).

Based on its experience in the soy production chain, Solidaridad Brazil has begun to structure a regional action in Matopiba. The organization believes that to scale modern techniques that reduce carbon emissions into the atmosphere and make land-use efficient, local actors must participate. Furthermore, with 73 million hectares and 337 municipalities, Matopiba is comprised of different contexts, which means the specificities of each territory must be understood.


Reducing the impacts of climate change involves the harmonious coexistence between the Cerrado and soy production in Matopiba. Photo: SCF

To this end, a qualitative mapping was produced in 2019 at the regional pole of each of the four states. The proposal was to get to know the local realities and portray the capacities for more efficient land use, which made it possible to take the first step in the search for solid partnerships that can make low-carbon agriculture attainable in the region.

In this sense, Solidaridad Brazil established a partnership with the private sector through the Soft Commodities Forum (SCF). Together with the SCF, research on local production systems is being conducted with men and women producers to outline a profile of the needs concerning soy cultivation and land-use practices. The study aims to give farmers a voice so that strategies can be developed together with them. The SFC is a global platform composed of large commodity companies, whose objective is to promote collective actions around common sustainability challenges. Members include ADM, Bunge, Cargill, COFCO International, Glencore Agriculture, and the Louis Dreyfus Company.

“Producers being engaged is vital for the success of our operations in the region. And, based on the identification and understanding of the challenges they face, strategic action can be designed,” commented the Agriculture and Conservation Manager at Solidaridad Brazil, Joyce Brandão.


Recognized as good agricultural practice, the No-Tillage System (NTS) is one of the best bets for sustainable soy production in Matopiba. Photo: Solidaridad Brazil


IMPROVED TECHNIQUES

Still, in 2020, one of the goals is to build long-term, local and global partnerships, which make it possible to expand and improve low-carbon farming techniques, such as the NTS and soil conservation. The improvement of these methodologies generates alternatives for improving land use, directly reflecting on the reduction of GHG emissions.

The Soybean Coordinator at Solidaridad Brazil, Juliana Monti, points out that the current grain harvest has broken production records, yielding around 250 million tons. To Juliana, the increased participation of the sector in the Brazilian GDP increases the pressure on the Cerrado. “That is why it is important to continue with the producers, collaborating so that the inevitable expansion of the production of grains such as soy is responsible and guided by territorial planning, prioritizing the use of areas that are already cleared and underutilized for agricultural activities,” she noted.


The Brazil-China-USA Connection: mobilizing the market and investors and leveraging low-carbon production strategy is funded by the Norwegian Agency for Development Cooperation (Norad), through Norway’s International Climate and Forest Initiative (NICFI).

  • Informação de contato

    Juliana Monti

    Coordenadora do Programa de Soja