Fórum discute cenário e desafios da produção de cacau na Amazônia

05 noviembre 2018

Em seis anos, o Pará dobrou sua produção de cacau, chegando a 117 mil toneladas na última safra. Segundo a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), órgão de pesquisa vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) responsável por promover o desenvolvimento das regiões produtoras de cacau, a produtividade média no Pará é de 911 quilos por hectare e a produção deve crescer entre 7% e 9% por ano até 2030.

Para debater o cenário, desafios e perspectivas do setor na região, a capital do Pará, Belém, sediou no dia 28 de setembro o "Fórum do Cacau - Sustentabilidade e Progresso da Cacauicultura na Amazônia". Com painéis sobre a cacauicultura no Brasil e no mundo, produção de cacau fino, sustentabilidade da cultura do cacau e avanços tecnológicos, o Fórum integrou a programação da 5ª edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia, o maior encontro do setor cacaueiro da região.

Foto crédito: Carol Gutierrez

O primeiro painel do dia apresentou a evolução da cacauicultura com destaque para o histórico do desenvolvimento dessa cultura no Pará. Na apresentação, Fernando Mendes, chefe do Serviço de Pesquisa da CEPLAC no estado, e uma das principais referências sobre o tema no país, explicou que o primeiro programa do governo para promover a tecnologia nas lavouras de cacau na Amazônia foi iniciado em 1971 e ampliado em 1975, com o sonho de tornar o Pará o maior produtor da commodity no Brasil. Desde então, foram feitos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para agregar valor à produção, promover a diversificação agropecuária, fortalecer a agricultura familiar e estimular o acesso ao crédito rural, dentre outros.

A última atualização do plano, referente ao período de 2012-2022, projetou a meta de aumentar a produção da cacauicultura de base familiar e sustentável a 233 mil toneladas ao ano até 2022. Em 2011, quando o plano foi desenhado, a produção era de 65 mil toneladas ao ano.

"Hoje, contamos com 23 mil produtores e uma área plantada de 185 mil hectares. Fecharemos 2018 com 133 mil toneladas produzidas. Se fosse um país, o Pará seria o 8º maior produtor de cacau do mundo", explicou.

Ao final do painel, Mendes citou o chocolate "Tuerê", fabricado pela chocolateria Casa Lasevicius, de São Paulo, com amêndoas do produtor José Silva Rosa, o Zezinho, proprietário do Sítio Três Irmãos e o primeiro a desenvolver as técnicas de fermentação e armazenamento de cacau estimuladas pelo projeto "Territórios Inclusivos Sustentáveis", da Solidaridad Brasil. Ao apresentar o chocolate para o público do Fórum, o pesquisador pediu que o produtor se levantasse para receber aplausos da plateia. "Vou provar o chocolate dele com muita honra, pois está no rótulo o nome dele e família. A agricultura do cacau é familiar e está aqui uma prova", completou.

>> Leia mais sobre produtor de Tuerê homegeado en Festival Internacional do Cacau

Papel da indústria

Foto crédito: Nailana Thiely

Outro destaque da programação foi o painel "Processamento de Cacau na Amazônia: Possibilidades e Perspectivas", com Eduardo Bastos, diretor executivo da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), e Ubiracy Fonseca, vice-presidente de Chocolate da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Balas e Amendoim (ABICAB).

Primeiro a se apresentar, Bastos revelou que a AIPC compra 97% de todo o cacau e derivados produzidos no Brasil. E que compraria mais, pois a indústria processa mais cacau do que o país produz. Em 2017, o processamento foi de 220 mil toneladas, frente as cerca de 162 mil toneladas produzidas, portanto foram importadas mais de 100 mil toneladas. "A gente não supre nem para atender a demanda interna, então temos o desafio de dobrar a produção em 10 anos, crescendo em quantidade e qualidade”, ressaltou.

Bastos observou também que a cadeia do cacau movimentou 24 bilhões de reais no Brasil em 2017, mas que o país saiu da lista dos maiores produtores da amêndoa. Com 4% da produção mundial, está em 7º lugar, atrás de Costa do Marfim (43,1%), Gana (19,4%), Indonésia (6%), Equador (5,8%), Nigéria (5,2%) e Camarões (5,2%).

"O crescimento da produção no Pará ajudou a manter o Brasil no radar, mas o desafio é voltar a ser relevante como já fomos no passado, quando a produção era de 400 mil toneladas por ano", declarou.

O diretor afirmou que a meta só será cumprida se os centros de pesquisa, indústria, governos, terceiro setor e produtores se unirem para conhecerem os problemas da cacauicultura e desenvolverem soluções integradas. E destacou ainda que o cacau deve ser um produto transformador - com o papel de reduzir o desmatamento e promover o reflorestamento.

"Existe hoje no mundo muitos recursos disponíveis para a promoção da sustentabilidade, mas que muitas vezes não chegam no campo por falta de bons projetos, que são aqueles capazes de colocar todos os atores da cadeia juntos. A grande verdade é que a gente não se falava, ou não se falava de maneira construtiva. Por isso que acabamos de desenvolver em parceria com a Solidaridad um projeto que busca captar R$ 40 milhões do Fundo Amazônia para investir na região. Investir em assistência técnica, pesquisa e contratação de pessoas para o campo, unindo CEPLAC e governos federal, estadual e municipais. Todo mundo junto. E nós da indústria vamos investir R$ 4 milhões".

Já na segunda parte do painel, Ubiracy Fonseca, da ABICAB, falou sobre o mercado de chocolate no Brasil e explicou que mesmo não sendo um produto de primeira necessidade, o que faz que o setor sofra nos momentos de crise econômica, o chocolate é muito consumido no país.

O mercado brasileiro ocupa o quinto lugar no ranking global de chocolate com um consumo per capita anual de 2,5 quilos, sendo a Páscoa o momento mais importante do ano para o setor. "Entre os brasileiros, 63% possuem o hábito de presentear com chocolates nesta data", revelou Fonseca, com base em uma pesquisa encomendada pela ABICAB ao Ibope. A produção de chocolate cresceu 13% no último ano, segundo a associação.

"Acredito muito no Brasil, na nossa cadeia de produção e principalmente no estado do Pará, que tem encarado a cacauicultura com muita seriedade. O cacau tem uma demanda positiva no mundo inteiro e quanto mais consumirmos chocolate, mais cacau produziremos. Estamos ligados nessa cadeia e com certeza vocês têm na mão uma grande atividade econômica", concluiu Fonseca para a plateia repleta de produtores.

O Fórum contou ainda com painéis sobre o uso de híbridos e clones na expansão da cacauicultura, a importância da Indicação Geográfica (IG) na produção e as oportunidades criadas pelo mercado de chocolate Bean to Bar. 

>> Leia mais sobre Bean to Bar como perspectiva lucrativa para a cacauicultura 

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Versión en ESP

Foro discute escenarios y desafíos de la producción de cacao en la Amazonia

En los últimos seis años, el estado de Pará (norte del Brasil) duplicó su producción de cacao, llegando a las 117 mil toneladas en la última cosecha. Según la Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), órgano de investigación vinculado al Ministerio de Agricultura, Ganadería y Abastecimiento (MAPA, por sus siglas en portugués) responsable de promover el desarrollo de las regiones productoras de cacao, la productividad media en el estado de Pará se encuentra en los 911 kilos por hectárea y la producción debe crecer entre el 7% y el 9% anual hasta el año 2030.

Para debatir el escenario, los desafíos y las perspectivas del sector en la región, se organizó en la capital de Pará, Belén, el 28 de septiembre el "Foro del Cacao - Sostenibilidad y Progreso del Cultivo de Cacao en la Amazonia". El Foro integró la programación de la 5ª edición del Festival Internacional del Chocolate y Cacao de la Amazonia, el mayor encuentro del sector del cacao región.

El primer panel del día presentó la evolución del cultivo de cacau con énfasis en la trayectoria del cultivo en Pará. Durante la presentación, Fernando Mendes, jefe del Servicio de Investigación de CEPLAC en el estado, y uno de los principales referentes sobre el tema en el país, explicó que el primer programa del gobierno para promover el uso de tecnología en los cultivos de cacao en la Amazonia tuvo inicio en 1971 y se amplió en 1975 con el sueño de convertir a Pará en el mayor productor de cacao en Brasil. Desde entonces, se han realizado inversiones en investigación y desarrollo para agregar valor a la producción, promover la diversificación agropecuaria, fortalecer la agricultura familiar y estimular el acceso al crédito rural, entre otros.

La última actualización del plan, referente al período 2012-2022, proyecta aumentar la producción de cacao familiar y sostenible a 233 mil toneladas al año para 2022. En 2011, cuando el plan fue diseñado, se producían 65 mil toneladas al año.

"Hoy, contamos con 23 mil productores y un área plantada de 185 mil hectáreas, y cerraremos 2018 con 133 mil toneladas producidas. Si fuera un país, Pará sería el 8º mayor productor de cacao del mundo", explicó.

Al final del panel, Mendes mencionó al chocolate "Tuerê", fabricado por la chocolateria Casa Lasevicius, de São Paulo, con almendras del productor José Silva Rosa, el Zezinho. Este productor, propietario del Sitio Tres Hermanos, fue el primero en adoptar las técnicas de fermentación y almacenamiento de cacao estimuladas por el proyecto "Territorios Inclusivos Sustentables", de Solidaridad en Brasil. Al presentar el chocolate al público del Foro, el investigador pidió que el productor se levantara para recibir los aplausos de la platea. "Voy a probar su chocolate con mucho honor, pues en la etiqueta está su nombre y el de su familia. El cultivo del cacao es familiar y esta aquí es la prueba", agregó.

Papel de la industria

Otro punto a destacar en la programación fue el panel "Procesamiento de Cacao en la Amazonía: Posibilidades y Perspectivas", que contó con la participación de Eduardo Bastos, director ejecutivo de la Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), y Ubiracy Fonseca, vice-presidente de la Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Balas e Amendoim (ABICAB).

Bastos reveló que la AIPC compra el 97% de todo el cacao y sus derivados producidos en Brasil. Y que compraría más, pues la industria procesa más cacao del que el país produce. En 2017, se procesaron 220 mil toneladas, frente a las 162 mil toneladas producidas en el mismo año, por lo que se importaron más de 100 mil toneladas. "La producción no alcanza ni para atender la demanda interna, por lo que tenemos el desafío de duplicar la producción en 10 años, creciendo en cantidad y calidad", subrayó.

Bastos observó también que la cadena del cacao generó 24 mil millones de reales en Brasil en 2017, pero que el país salió de la lista de los mayores productores de la almendra. Con un 4% de la producción mundial, está en el séptimo lugar, detrás de Costa de Marfil (43,1%), Ghana (19,4%), Indonesia (6%), Ecuador (5,8%), Nigeria (5, 2%) y Camerún (5,2%).

"El crecimiento de la producción en Pará ayudó a mantener a Brasil en el radar, pero el desafío es volver a ser relevante como ya fuimos en el pasado, cuando la producción era de 400 mil toneladas al año", declaró.

El director afirmó que la meta sólo se cumplirá si los centros de investigación, la industria, los gobiernos, el tercer sector y los productores se unen para identificar los problemas del cacao y desarrollar soluciones integradas. Destacó, además, que el cacao debe ser un producto transformador -que reduzca la deforestación y promueva la reforestación.

"Hay hoy en el mundo muchos recursos disponibles para la promoción de la sostenibilidad, pero muchas veces no llegan al campo por falta de buenos proyectos, que son aquellos capaces de reunir a todos los actores de la cadena. La gran verdad es que la gente no dialogaba o no dialogaba de manera constructiva, por lo que acabamos de desarrollar, en alianza con Solidaridad Brasil, un proyecto que busca captar R$ 40 millones del Fondo Amazonia para invertir en la región. Invertir en asistencia técnica, investigación y contratación de personal para campo, uniendo a la CEPLAC y los gobiernos federal, estadual y municipales. Todos juntos. Y nosotros como parte de la industria vamos a invertir  $ 4 millones”.

En la segunda parte del panel, Ubiracy Fonseca, de ABICAB, habló sobre el mercado de chocolate en Brasil y explicó que aun no siendo un producto de primera necesidad, lo que hace que el sector sufra en  momentos de crisis económica, el chocolate es muy consumido en el país.

El mercado brasileño ocupa el quinto lugar en el ranking global de chocolate con un consumo per cápita anual de 2,5 kilos, siendo la Pascua el momento más importante del año para el sector. "Entre los brasileños, el 63% tiene el hábito de regalar chocolates en esta fecha", reveló Fonseca, sobre la base de una encuesta encargada por ABICAB al Ibope. La producción de chocolate creció un 13% en el último año, según la asociación.

"Creo mucho en Brasil, en nuestra cadena de producción y principalmente en el estado de Pará, que ha encarado el cultivo de cacao con mucha seriedad. El cacao tiene una demanda positiva en todo el mundo y cuanto más consumimos chocolate, más cacao producimos. Y con certeza ustedes tienen entre manos una gran actividad económica ", concluyó Fonseca para la platea repleta de productores.

El Foro contó además con paneles sobre el uso de híbridos y clones en la expansión de la cacao, la importancia de la Indicación Geográfica (IG) en la producción y las oportunidades creadas por el mercado de chocolate Bean to Bar. 

  • Informação de contato

    Joyce Brandão

    Gerente de Programas Palma y Cacao Brasil