AGRICULTURA FAMILIAR DE BAIXO CARBONO NA AMAZÔNIA

21 marzo 2018

Solidaridad apresenta estudo inédito sobre o balanço de carbono na produção de cacau e pecuária. (traducción al español a continuación de la nota en portugués).

José Antonio de Oliveira, produtor familiar. Foto: André Marques

A Solidaridad lançou no último dia 9 de março, o estudo “BALANÇO DE CARBONO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA FAMILIAR NA AMAZÔNIA, Cenários e oportunidades”  que busca, de forma inédita, provocar uma discussão acerca do papel da agricultura familiar na redução de emissões e potencial captador de Gases de Efeito Estufa (GEE) na Amazônia.

“O que queremos com esse estudo e outros que virão no futuro? Queremos dar o devido lugar ao agricultor familiar tanto nas estratégias de mitigação, quanto nas estratégias de incentivo para que ele seja realmente um sumidouro de carbono. E isso, o que estamos despertando, é uma provocação. Este estudo foi feito para o Tuerê (ver dado abaixo). Se você extrapolar isso para o bioma amazônico, imagina como seria”, avalia Rodrigo Castro, gerente de país da Solidaridad no Brasil.

O evento faz parte do Programa de Cacau e Pecuária, no âmbito da iniciativa "Territórios Inclusivos e Sustentáveis", que promove o desenvolvimento de uma agricultura de baixo carbono no contexto da agricultura familiar na Amazônia. O foco deste trabalho são produtores de cacau e gado na região da Transamazônica, no Pará. Entre as ações em andamento, a Solidaridad, em parceria com o Imaflora, desenvolveu cenários de balanço de carbono considerando o uso da terra e o manejo de práticas agropecuárias na região. Esse exercício nos permitiu identificar os principais vetores e compreender as práticas atreladas às emissões de GEE no contexto local. Fez parte desse processo, o desenvolvimento de uma ferramenta customizada para o cálculo do balanço de carbono no nível da propriedade rural, construída com base no conhecimento já existente e incluindo a diversidade da agricultura familiar.

O evento contou com o lançamento do vídeo institucional do programa e a realização de uma mesa redonda com representantes da sociedade civil, setor privado e governo para discorrer sobre desafios, cenários e oportunidades.

A mesa redonda foi mediada por Rodrigo Castro e teve como participantes:

  • Ciniro Costa Junior, responsável pelo estudo do Imaflora, onde é Analista de Clima e Cadeias Agropecuárias.
  • Eduardo Bastos, Diretor Executivo da AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau).
  • Luana Maia, Coordenadora-executiva da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.
  • Marco Antônio Nunes Bastos, Diretor de Competitividade Industrial do MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Mariana Pereira, programme assistant do programa, explicou sobre a metodologia e resultados do estudo:

“Passamos por alguns dias no assentamento, visitamos e coletamos demonstrações qualitativas e quantitativas. Cada cenário considera como variáveis a taxa de desmatamento, a mudança de uso de solo, a mudança no manejo na pecuária as condições do solo e as características dos sistemas de cacau. O que buscamos foi entender quais variáveis são necessárias para se chegar no balanço de carbono no nível da propriedade. Não interessava entender apenas o cacau. Podemos ter o cacau como uma excelente alternativa de sumidouro de carbono e do outro lado, ter uma pecuária totalmente degradante”, pontuou Mariana.

Pedro Santos,  apresentando um chocolate produzido com cacau do Tuerê. Foto: Cilene Marcondes (Solidaridad)

Algumas conclusões

Os dados coletados em entrevistas com agricultores e visitas de campo em 2016 permitiram a definição de uma linha de base do uso do solo em uma unidade produtiva familiar média no Assentamento Rural Tuerê (PA), com o seguinte perfil:

  • 54% da área é ocupada por pastagens sob sistema de cria e recria de gado
  • 20% por sistemas de cultivo de cacau e 26% por remanescentes de floresta nativa

O estudo utilizou um conjunto de calculadoras que permitiram estimar uma emissão de 0,04 tCO2e/ha/ano em uma unidade produtiva familiar média na linha de base de 2016.

  • a pecuária é o maior vetor de emissão de GEE: 4,8 tCO2e/ha/ano.
  • o estudo não considerou as emissões por desmatamento
  • degradação de pastagens e o sistema de manejo utilizado foram as principais fontes de emissão
  • essas emissões foram parcialmente compensadas pela remoção de carbono de -12,1 e -0,5 tCO2e/ha/ano pelas áreas de cacau e floresta, respectivamente.

O cultivo de cacau também se beneficiaria com a melhoria das práticas de manejo:

  • a adoção completa de sistemas de sombreamento em cultivos de cacau removeria 16,2 tCO2e/ha/ano e produziria 83% mais amêndoas, as quais estariam associadas a 19% menos GEE por tonelada de amêndoas de cacau produzida.

Tuerê, que está entre os maiores assentamentos rurais da América Latina, foi estabelecido em uma área de 240 mil hectares integralmente abrangida pelo bioma Amazônia. Na década de 2000, Tuerê passou a liderar as taxas de desmatamento em assentamentos rurais da Amazônia, enfrentando desafios como exploração de madeireira ilegal, ineficiência na regularização fundiária e especulação de terras. Os impactos na cobertura florestal resultantes do processo de ocupação do assentamento, conhecido como desmatamento em “espinha de peixe”, que consiste da abertura inicial de áreas florestais pelas estradas, deixando fragmentos remanescentes intercalados.

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Agricultura Familiar de Bajo Carbono en la Amazonía

Solidaridad presenta un estudio inédito sobre el balance de carbono en la producción de cacao y ganadería

Solidaridad lanzó el 9 de marzo, el estudio "BALANCE DE CARBONO EN LA PRODUCCIÓN AGRÍCOLA FAMILIAR EN LA AMAZONÍA, Escenarios y oportunidades". La publicación busca, de forma inédita, integrar el papel de la agricultura familiar a la agenda sobre la reducción de emisiones y posicionar al productor familiar como potencial captador de Gases de Efecto Invernadero (GEI) en la Amazonía.

"¿Qué es lo que queremos con este estudio y otros que vendrán en el futuro? Queremos otorgar al agricultor familiar el lugar que le corresponde, tanto en las estrategias de mitigación, como en las estrategias de incentivos, para visibilizar su rol como sumidero de carbono. Y eso es una provocación porque hasta ahora sólo se han tenido en cuenta a grandes productores en este tipo de estudios. Este estudio fue hecho en Tuerê. Si esto se extrapolara al bioma amazónico, imaginen cómo sería", evalúa Rodrigo Castro, gerente de país de Solidaridad en Brasil.

El evento en el que se presentó el estudio forma parte de la iniciativa "Territorios Inclusivos y Sostenibles", que promueve el desarrollo de una agricultura de bajo carbono en el contexto de la agricultura familiar en la Amazonía. El foco de este trabajo son productores de cacao y ganado en la región Transamazónica, en Pará.

Entre las acciones en curso, Solidaridad, en alianza con Imaflora, ha desarrollado distintos escenarios de balance de carbono considerando el uso de la tierra y el manejo de prácticas agropecuarias en la región. Este ejercicio permitió identificar cuáles son los principales vectores de emisiones GEI y comprender qué prácticas están vinculadas a estas emisiones dentro del contexto local. Para esto se desarrolló una herramienta adaptada para calcular el balance de carbono a nivel de la propiedad rural, construida sobre la base del conocimiento ya existente e incluyendo los distintos rubros productivos presentes en la agricultura familiar.

El evento contó con el lanzamiento de un video institucional que explica el enfoque de paisajes del programa dentro del cual el estudio fue realizado, y la realización de una mesa redonda con representantes de la sociedad civil, del sector privado y del gobierno para discutir los desafíos, escenarios y oportunidades para la agricultura de bajo carbono a nivel familiar.

La mesa redonda fue facilitada por Rodrigo Castro y tuvo como participantes a:

  • Cinero Costa Junior, Analista de Clima y Cadenas Agropecuarias de Imaflora y responsable del estudio.
  • Eduardo Bastos, Director Ejecutivo de la AIPC (Asociación Nacional de las Industrias Procesadoras de Cacao).
  • Luana Maia, Coordinadora Ejecutiva de la Coalición Brasil Clima, Bosques y Agricultura.
  • Marco Antonio Nunes Bastos, Director de Competitividad Industrial del MDIC (Ministerio de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior).

Mariana Pereira, asistente de programa, explicó lo siguiente acerca de la metodología y resultados del estudio:

"Pasamos unos días en el asentamiento, donde recogimos datos cualitativos y cuantitativos de la unidades demostrativas. Cada escenario considera como variables la tasa de deforestación, el cambio de uso de la tierra, el cambio en el manejo ganadero, las condiciones del suelo y las características de los sistemas de cacao utilizamos. Lo que buscamos fue entender qué variables son necesarias para llegar al balance de carbono a nivel de la propiedad. Concentrarse sólo en el cultivo de cacao no alcanza. Una misma propiedad puede tener el cacao como una excelente alternativa de sumidero de carbono y, por otro lado, puede un manejo ganadero totalmente degradante", puntualizó Mariana.

Algunas conclusiones

Los datos recogidos a partir de entrevistas con productores y visitas de campo en 2016, permitieron la definición de una línea de base acerca del uso de la tierra en una unidad productiva familiar promedio en el Asentamiento Rural de Tuerê (PA). Las propiedades cuentan con el siguiente perfil:

  • 54% del área está ocupada por pasturas para cría y recría de ganado
  • 20% por sistemas de cultivo de cacao y
  • 26% por remanentes de bosque nativo

El estudio utilizó un conjunto de calculadoras que permitieron estimar emisiones de 0,04 tCO2e / ha / año en una unidad productiva familiar media en la línea de base de 2016, con las siguientes aclaraciones:

  • La ganadería es el mayor vector de emisiones GEI: 4,8 tCO2e / ha / año.
  • El estudio no consideró las emisiones por deforestación.
  • Las pasturas degradadas y los sistemas de manejo ganadero fueron las principales fuentes de emisiones.
  • Estas emisiones fueron compensadas parcialmente mediante la eliminación de carbono de -12,1 y -0,5 tCO2e / ha / año en las áreas ocupadas por cacao y de bosque, respectivamente.

Otro de los hallazgos del estudio fue que el cultivo de cacao también se beneficiaría con una mejora de las prácticas de manejo. De hecho, la adopción completa de sistemas de sombreado en cultivos de cacao quitaría 16,2 tCO2e / ha / año y produciría 83% más almendras. Asimismo, este aumento en la productividad estaría asociado a un 19% menos de emisiones GEI por tonelada de almendras de cacao producida.

El rol del cacao en la restauración de bosques nativos

Tuerê está entre los mayores asentamientos rurales de América Latina. Fue establecido en un área de 240 mil hectáreas integralmente cubiertas por la selva Amazónica. En la década del 2000, Tuerê pasó a liderar las tasas de deforestación en asentamientos rurales de la Amazonía, presentando desafíos como la explotación maderera ilegal, ineficiencias en el proceso de regularización agraria y especulación de tierras. La ocupación del asentamiento impactó en la cobertura forestal a través de un proceso conocido como “deforestación en espina de pescado", que consiste en la apertura de áreas forestales a lo largo de las carreteras, dejando fragmentos de selva aislados entre sí. Dado que el cacao es una planta nativa de nuestro continente, puede utilizarse en sistemas agroforestales con otras especies nativas para ir restaurando la conectividad entre los bosques remanentes.

  • Información de Contacto

    Joyce Brandão

    Gerente de Programas Palma y Cacao Brasil